segunda-feira, 22 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
"Cerco a S. Bento..." Milhares repudiaram o orçamento da catástrofe
Na passada segunda feira o ministro das finanças apresentou o orçamento ao parlamento para discussão, um documento que contém todas as exigências da tróika e que traduzem medidas de inaudita de exploração para o povo gerando ainda mais fome , miséria e desemprego , uma catrástrofe social .
Milhares de pessoas tiveram em S.Bento a partir das 18 horas correspondendo ao apelo de alguns colectivos que em boa hora convocaram esta jornada de repúdio de "cerco a S. Bento, este não é o nosso orçamento !", iniciativa que foi além da meia noite .
A presença de grande número de efectivos policiais não intimidou o povo presente, gerando-se um clima de grande combatividade, sinónimo de que o orçamento vai ter pela frente um vasto movimento de repúdio por este instrumento de saque do grande capital financeiro .
Algumas da muitas imagens sobre os acontecimentos ocorridos em dia de entrega do orçamento .
Milhares de pessoas tiveram em S.Bento a partir das 18 horas correspondendo ao apelo de alguns colectivos que em boa hora convocaram esta jornada de repúdio de "cerco a S. Bento, este não é o nosso orçamento !", iniciativa que foi além da meia noite .
A presença de grande número de efectivos policiais não intimidou o povo presente, gerando-se um clima de grande combatividade, sinónimo de que o orçamento vai ter pela frente um vasto movimento de repúdio por este instrumento de saque do grande capital financeiro .
Algumas da muitas imagens sobre os acontecimentos ocorridos em dia de entrega do orçamento .
12 de Outubro - A Morte de um Revolucionário
4o anos depois da morte de Ribeiro Santos, assassinado pela PIDE cabe-nos fazer um paralelo com o passado e presente, em vivemos um clima pré fascizante que diáriamente comete toda a espécie de crimes contra o povo .
Evocar Ribeiro Santos e a luta por este travada é uma missão que se nos coloca, continuar a luta !
"RIBEIRO SANTOS, a honra de morrer por uma causa imortal.
Morrer, todos morremos, mas nem todas as mortes são iguais. RIBEIRO SANTOS
morreu a lutar contra a repressão, pela causa da liberdade.
Foi o primeiro maoista que caiu na luta. Morto pelas balas da PIDE.
RIBEIRO SANTOS morreu de morte matada, como diria Jorge Amado.
Como já alguém, em Portugal, decretou a extinção do maoismo, será mais uma
razão para relembrar RIBEIRO SANTOS, memória viva de todos os proletários e
revolucionários deste país.
JOSÉ ANTÓNIO LEITÃO RIBEIRO SANTOS, nasceu em Lisboa em 19 de Março de
1946, era baixo, magro, de antes quebrar que torcer.
Foi o estudante abatido pelo fascismo, é o símbolo da luta estudantil contra
a repressão fascista e a guerra colonial. RIBEIRO SANTOS foi o alvo do fascismo
e da conciliação revisionista instalada no movimento associativo.
A partir do dia 12 de Outubro de 1972, nada ficou igual, o fascismo de rosto
sorridente e dialogante, iniciado por Marcelo Caetano e como guterrismo
de antes-25 de Abril, apressou irremediavelmente o seu fim. Fim imposto pela
luta da juventude revolucionária e democrática e de camadas cada vez mais amplas
de operários e do povo trabalhador.
A memória de RIBEIRO SANTOS, embora militante de uma organização política já
inexistente, é pertença de todos os que lutam pela emancipação da Humanidade,
qualquer que seja o clube político ou a nacionalidade.
RIBEIRO SANTOS é também um símbolo da luta internacionalista num mundo já
inteiramente globalizado pelo capitalismo.
HONRA A RIBEIRO SANTOS!
Estivadores de Portugal: A importância da nossa greve
A luta dos trabalhadores portugueses agiganta-se face a medidas de austeridade e um orçamento catastrófico apresentado para discussão no parlamento, cuja maioria está deliberadamente ao serviço da tróika .
Os estivadores é um dos sectores em luta, passamos a divulgar o esclarecimento que fundamenta as razões do seu combate .
Esclarecimento
Todos os dias os Portugueses são bombardeados com notícias sobre a greve nos portos cuja verdade fica perdida nos critérios editoriais da comunicação social.
Desde há largas semanas, os Estivadores estão em greve e durante este percurso têm desenvolvido variadas formas de luta. Actualmente, a “greve” dos Estivadores cinge-se aos sábados, domingos e feriados e dias úteis entre as 17 e as 08 do dia seguinte. Ou seja, cada estivador trabalha, afinal, o que trabalha cada português que ainda não está no desemprego: 8 horas por dia, 40 horas por semana.
Sabia que o ritmo de trabalho de um estivador chega a 16 e até 24 horas por dia?
Sabia que nos portos se trabalha 24 horas por dia, 362 dias por ano?
Sabia que Portugal é dos poucos países da Europa onde os profissionais da estiva não têm direito a reforma antecipada por profissão de desgaste rápido?
Sabia que o trabalho na estiva é hoje extremamente especializado requerendo uma formação profissional exigente e sofisticada?
Sabia que devido aos equipamentos pesados envolvidos nas operações a nossa actividade, actualmente, não suporta amadorismos que conduzem, frequentemente, a acidentes mortais ou incapacitantes?
As empresas em vez de exigirem uma requisição civil dos Estivadores deveriam exigir o cumprimento da Lei aprovada em 1993 por um governo Cavaco Silva.
Porque, se os Estivadores “merecem” uma requisição civil, então porque não exigir que essa requisição se estenda a todos os Portugueses que ainda conseguem trabalhar um turno normal de trabalho e transformamos este País num campo de trabalhos forçados?
Com os Estivadores a trabalhar um turno normal de trabalho interessa responder a outra pergunta. Como é que havendo, neste momento, portos mais ou menos amigos a trabalhar, esta nossa “greve” provoca o bloqueio económico do País e entope as exportações redentoras?
Pura e simplesmente porque as empresas do sector não querem admitir para os seus quadros as largas dezenas de jovens profissionais de que o mundo da estiva necessita. E o País jovem desempregado anseia.
Mas então é “só” por isto que os Estivadores estão em “greve” tão prolongada? Não. Ao longo dos anos as greves nos nossos portos têm-se sucedido por esta mesma razão. As empresas do sector apenas têm admitido novos Estivadores profissionais na sequência de greves de Estivadores.
Mas os Estivadores não se esquecem que já foram todos precários até 1979 e recusam voltar mais a esses tempos de escravatura, de indignidade e de miséria.
Acontece que as empresas monopolistas do sector portuário, estão a tentar aproveitar a passagem, esperamos que fugaz, de um governo com cartilha ultraliberal assumida, para lhes encomendar uma lei conveniente que acabe com a segurança no emprego, as nossas condições dignas e a organização sindical.
Para isso, este governo fez um acordo perverso com pseudo-organizações sindicais que representam, quando muito, 15% dos Estivadores nacionais — simulando um acordo nacional — e incendiando os portos onde trabalham os restantes 85% dos Estivadores. Com total menosprezo pelos prejuízos para a economia nacional que sabia ir provocar.
Em resumo, este governo assinou um acordo com os “amigos” de Leixões onde nas últimas duas décadas o sindicato aceitou, para os respectivos associados, uma diminuição salarial de cerca de um terço e o retalhamento do seu âmbito de actividade em clara violação da lei em vigor.
Assim, desde 1993, as empresas portuárias no porto de Lisboa admitiram cerca de 200 novos Estivadores efectivos enquanto, em Leixões, e no mesmo período, as empresas locais que pertencem aos mesmos grupos económicos das de Lisboa, admitiram o total de ZERO novos Estivadores efectivos.
Como se não bastasse a estes “sindicalistas” terem alienado o futuro dos seus sócios e respectivos filhos, bem como da restante juventude local, pretendiam agora, através deste acordo indigno, alienar as hipóteses de muitos jovens portugueses encontrarem no sector portuário uma alternativa para o desemprego, a precariedade, a miséria, a dependência e a emigração forçada.
Se aceitássemos o que nos querem impor, dois terços dos actuais Estivadores profissionais iriam engrossar as filas do desemprego. A que propósito, quando nos querem hoje a trabalhar 16 e mais horas por dia? É pela dignidade da nossa profissão que estamos em luta.
Os Estivadores de Lisboa, Setúbal, Figueira da Foz, Aveiro, Sines, Viana do Castelo, Caniçal — Estivadores do Portugal todo, porque não? — lutam por um futuro digno para os Portugueses. Por isso gritamos bem alto. E não nos calam!
Portugal, 12 de Outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
CERCO A S. BENTO ! 15 de Outubro - 18H. - Repudiar o orçamento da tróika !
Passamos a divulgar o seguinte Apelo .
"É cada vez mais evidente - a não ser para um governo que segue fanaticamente, e sem olhar a meios, o programa da Troika - que este caminho não nos serve. Temos saído repetidamente à rua para exigir que sejamos ouvidos, para mostrar que estamos indignados com tanta insensibilidade social e com tantos jogos políticos que conduzem sempre ao mesmo resultado: mais pobreza, mais desemprego, mais precariedade, mais desigualdade social, mais austeridade, menos futuro! Saímos à rua por
que é nela que mora a última esperança de liberdade quando os governos se tornam cegos, surdos e mudos face às justas exigências de igualdade e justiça social. Saímos à rua porque estes governos apenas se preocupam com a aplicação suicida de políticas pensadas para proteger os mais ricos e os interesses financeiros. Voltaremos a sair à rua em Portugal, em Espanha, na Grécia e em tantos outros lugares pelas mesmas razões essenciais: queremos uma economia virada para as pessoas, uma democracia com direitos para todos e todas sem discriminações e um planeta onde possamos coexistir de forma sustentável e cooperante.
Se o povo quiser, o povo decide, por isso vamos para a rua a 15 de Outubro dizer de forma clara e definitiva que recusamos o retrocesso social imposto, que este não é o caminho e que queremos uma vida digna. Queremos recuperar a nossa responsabilidade sobre o nosso futuro. Governo para a rua já!
Em Portugal, como em Espanha, cerquemos o Parlamento!"
domingo, 7 de outubro de 2012
Basta de mentiras. Rua com o lacaio da tróika .
Além de cobarde multiplica a mentira ...O que disse ontem , desdiz hoje .
sábado, 6 de outubro de 2012
A Revolta está na rua . As manifestações sucedem-se .
As manifestações sucedem-se todos os dias contra a política de austeridade de um governo da traição , lacaio da tróika. trata-se de um governo desacreditado e em fuga perante as promessas eleiçoeiras e as práticas de completa submissão, só tem como saída a rua e quanto antes .
Ontem a parir das 17 horas realizou-se uma maifestação de protesto contra a política do governo junto a S. Bento com a presença de centenas de pessoas na sua esmagadora maioria jovens, aqueles a quem o Cavaco Silva se dirigiu hipócritamente nas cerimónias do 5 de Outubro, são precisamente estes onde lavra a maior percentagem de desemprego e o seu futuro está ameaçado.
Mais uma vez foi visível a presença já grotesca de um número elevado de polícia, já em fase de desmobilização havia um polícia por cada manifestante, ridículo senão provocatório para o povo que diáriamente é assaltado pelo governo .
Foram detidos, já em plena noite 7 pessoas e 5 identificados sob argumento do derrube das grades que impedem o acesso á escadaria e por arremesso de objetos .
O Povo Unido nunca mais será vencido !
Dia 4 de Outubro cerca de meio milhar de pessoas manifestam-se junto á residência de Passos em S.Bento contra a política de austeridade .
A políticas criminosas do presente governo refletem-se em toda a vida do povo: a saúde , o ensino, a segurança social que existe cada vez menos... também a cultura vê-se alvo de ataques , a foto abaixo da fachada da sede da Confederação das Coletividades de Cultura e Recreio simboliza o luto .
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Comemorações do 102º aniversário da República - Luisa Trindade refletiu a voz de milhões
O ridículo esteve presente e o povo é que paga : cerimónias claustrofóbicas, carros e carros oficiais para transportar os senhores, as seguranças e as polícias aos molhos a condicionar qualquer apróximação de gente, falamos de contribuintes que pagam todos estes luxos . Trocaram a tradicional Praça do Município pelo pátio da Galé, mas mesmo assim a revolta invadiu esse espaço: Luisa Trindade exteorizou a sua revolta, tentando aproximar-se do Presidente da República no que foi intercetada pela segurança e levada para o exterior. Luisa recebe mensalmente 224 euros, só a ajuda do filho permite que sobreviva. Ainda no pátio foi audível a voz da cantora lírica Ana Maria Pinto que entoou a canção "firmeza" de Lopes Graça .
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| O hastear da bandeira ao contrário, a confusão está instalada |
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
CGTP CONVOCA GREVE GERAL PARA 14 DE NOVEMBRO
"A decisão saiu do Conselho Nacional da Intersindical desta quarta-feira e foi tornada pública já depois de o ministro das Finanças anunciar um agravamento do IRS no próximo ano, uma das medidas que o Governo incluirá na proposta de Orçamento para 2013 para cumprir a meta do défice de 4,5% do PIB.
Na resolução onde anuncia a convocação da greve geral, a CGTP chama “mentiroso” ao Governo, considerando que “depois de arruinar a vida de milhares de famílias, já anunciou hoje que vai inscrever no Orçamento de Estado para 2013 mais medidas dirigidas ao roubo nos salários e ao agravamento da carga fiscal para os trabalhadores, os reformados e pensionistas e as famílias em geral”.
A CGTP apela “a todos os sindicatos” e aos trabalhadores para se associarem à greve, sem fazer qualquer referência à possibilidade de ter consigo na organização a UGT...
O Conselho Nacional é claro na resolução que divulgou esta tarde: “Portugal não pode continuar subjugado a um Governo que, assumindo a sua natureza de classe ao serviço do grande capital, assenta a sua governação no agravamento dos sacrifícios impostos aos trabalhadores e ao povo português”.
A greve, admitida por Arménio Carlos no sábado, acontece já depois da votação do orçamento na generalidade, mas ainda antes da votação final global, a 27 de Novembro. Até à paralisação, estão agendadas outras acções, a começar já esta quinta-feira.
Uma concentração em frente à residência oficial do primeiro-ministro está prevista para esta quinta-feira, às 18h, “contra as medidas de austeridade” anunciadas pelo executivo de coligação.
A partir de sexta-feira e até 13 de Outubro, a CGTP vai promover a iniciativa “Grande Marcha Contra o Desemprego” em várias cidades.
Notícia substituída às 18h31 e actualizada às 18h56
Despacho da Lusa substituído por notícia própria do PÚBLICO."
Na resolução onde anuncia a convocação da greve geral, a CGTP chama “mentiroso” ao Governo, considerando que “depois de arruinar a vida de milhares de famílias, já anunciou hoje que vai inscrever no Orçamento de Estado para 2013 mais medidas dirigidas ao roubo nos salários e ao agravamento da carga fiscal para os trabalhadores, os reformados e pensionistas e as famílias em geral”.
A CGTP apela “a todos os sindicatos” e aos trabalhadores para se associarem à greve, sem fazer qualquer referência à possibilidade de ter consigo na organização a UGT...
O Conselho Nacional é claro na resolução que divulgou esta tarde: “Portugal não pode continuar subjugado a um Governo que, assumindo a sua natureza de classe ao serviço do grande capital, assenta a sua governação no agravamento dos sacrifícios impostos aos trabalhadores e ao povo português”.
A greve, admitida por Arménio Carlos no sábado, acontece já depois da votação do orçamento na generalidade, mas ainda antes da votação final global, a 27 de Novembro. Até à paralisação, estão agendadas outras acções, a começar já esta quinta-feira.
Uma concentração em frente à residência oficial do primeiro-ministro está prevista para esta quinta-feira, às 18h, “contra as medidas de austeridade” anunciadas pelo executivo de coligação.
A partir de sexta-feira e até 13 de Outubro, a CGTP vai promover a iniciativa “Grande Marcha Contra o Desemprego” em várias cidades.
Notícia substituída às 18h31 e actualizada às 18h56
Despacho da Lusa substituído por notícia própria do PÚBLICO."
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Prós e prós - lavagem da repressão policial
Ontem fomos obsequiados por mais um programa nauseabundo que dá pelo nome de "prós e contras" isto na RTP 1, um programa orquestrado pela sr.a Fátima Santos Ferreira .
A presença de dois ex-ministros da admnistração interna, de um general destacado do aparelho militar e um sociólogo no mesmo prato da balança, diz tudo quanto ao tipo de democracia reinante entre nós.
Foi mais que evidente que tivemos perante uma farsa,sempre a branquear a actuação das polícias no decurso das grandes manifestações que tiveram lugar dias 15, 21 e 29 de Setembro .
Do que é que o sistema tem medo ? Realmente eles têm medo de tantos crimes que praticam todos dias, a resposta virá... E por isso socorrem-se de todos os expedientes para branquear uma política que está condenada ao fracasso e por mais polícias que possam ter hão-de cair do pedestral.
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Inversão de papéis . O "abraço" do polícia a uma menina dia 15 S em S.Bento, este não teve a relevância dos média nem dos fotografos de eleição . ...
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Inversão de papéis . O "abraço" do polícia a uma menina dia 15 S em S.Bento, este não teve a relevância dos média nem dos fotografos de eleição . ...
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
António Borges mentiu descaradamente quando afirmou que as despesas com pessoal na Administração Pública representam 80% das despesas totais
Por Eugénio Rosa em Resistir.info
Um dos aspectos que caracteriza o
comportamento dos grandes órgãos da comunicação social em Portugal, e mesmo de
certos jornalistas, é o de promoverem personalidades de direita em grandes
autoridades sobre certas matérias para que depois as suas opiniões sejam aceites
pela opinião pública como verdades indiscutíveis. É um processo clássico de
manipulação da opinião pública, que Philippe Breton, professor na Universidade
de Paris-Sorbonne, no seu livro A
Palavra Manipulada designa por " argumento de autoridade "
Segundo este investigador, " este argumento baseia-se na confiança depositada
numa autoridade em nome do principio de que não podemos verificar por nós
próprios tudo quantos nos é apresentado " (2001:pág. 94).
Tudo isto vem a propósito de Antonio Borges, conselheiro do governo para as privatizações, bem pago com dinheiro dos contribuintes, que simultaneamente também é administrador da Jerónimo Martins. A comunicação social afeta ao governo tem procurado fazer passar este "senhor", junto da opinião pública, como um grande professor de economia e um experiente gestor (formado na escola da Goldman Sachs e do FMI). Por isso interessa analisar, até pela importância que ele tem junto deste governo, a credibilidade técnica e cientifica das afirmações do referido "senhor", nomeadamente as feitas no dia 29/9/2012; portanto, não é o aspecto se são ou não convenientes. No I Fórum Empresarial do Algarve, em que participou, António Borges declarou à comunicação social que " a medida [Taxa Social Única (TSU)] é extremamente inteligente, acho que é. Os empresários que se apresentaram contra a medida são completamente ignorantes, não passariam do primeiro ano do meu curso na universidade " e, a propósito de baixar os salários nominais, que " as despesas com trabalhadores na Administração Pública representavam 80% das despesas Totais " (RTP, 29/9/2012). A primeira afirmação (ofender os patrões) provocou grande alarido na comunicação social, mas a segunda (ofender os trabalhadores) não causou qualquer reacção, apesar de ser mentira e ser repetida pelo patrão da Jerónimo Martins no dia seguinte nas declarações que fez no Telejornal das 13h da RTP, passando como verdadeiras e alimentando a campanha contra os trabalhadores da Função Pública. Por isso, iremos começar por elas. ANTÓNIO BORGES É UM IGNORANTE E MENTIU DESCARADAMENTE QUANDO AFIRMOU QUE A DESPESA COM PESSOAL NA ADMINISTRAÇÃO PUBLICA ERA 80% DA DESPESA TOTAL O quadro 1, construído com dados constantes do Relatório que acompanhou a proposta de Orçamento do Estado para 2012 elaborado pelo actual governo, portanto dados oficiais, mostra que António Borges mentiu descaradamente quando afirmou que as despesas com Pessoal na Administração Pública representam 80% da despesa total Quadro 1 – Despesa Total e Despesa com Pessoal nas Administrações Públicas – 2010/2012
As despesas com Pessoal nas Administrações Públicas (Central,
Local e Regional) representam, em 2012, 21,3% das Despesas Totais das
Administrações Públicas em Portugal, segundo dados do próprio Ministério das
Finanças, e não 80% como afirmou António Borges, Em relação ao Estado, ou seja,
a Administração Central, as despesas com Pessoal representam, em 2012, apenas
18,8% da Despesa Total. Se a analise for feita às "Remunerações certas e
permanentes" conclui-se que, em 2012, as remunerações na Administração Central
(Estado) representam apenas 14,5% das despesas totais do Estado. António Borges
ao afirmar que elas representavam 80% revela ignorância total, e mostra que não
conhece nem estuda minimamente os assuntos de que fala, estando mais interessado
em utilizar a mentira na campanha contra os trabalhadores da Administração
Pública com o objectivo de justificar os ataques do governo ao seus direitos e
às suas condições de vida. São personalidades deste tipo, com este estofo
técnico e ético, que certa comunicação social e certos jornalistas promovem a
grandes autoridades.
A DESCIDA DAS CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS PARA A SEGURANÇA SOCIAL NÃO ERA "UMA MEDIDA EXTREMAMENTE INTELIGENTE" COMO AFIRMOU ANTÓNIO BORGES Se António Borges estudasse minimamente os assuntos de que fala, concluiria também que a diminuição da TSU (Taxa Social Única) paga pelas empresas para a Segurança Social não era uma medida inteligente, pois não teria quaisquer efeitos na competitividade das empresas, determinando apenas a transferência directa de 2.200 milhões € dos bolsos dos trabalhadores para os bolsos dos patrões, reduzindo a procura agregada, o que agravaria a situação económica e financeira de centenas de milhares de empresas que vivem do mercado interno. E para concluir isso bastaria que analisasse a estrutura de custos das empresas portuguesas. O quadro 2, construído com dados divulgados pelo INE sobre a estrutura de custos das empresas não financeiras em Portugal mostra, de uma forma quantificada, os reduzidos efeitos de tal medida. Quadro 2 – Estrutura de custos das empresas não financeiras, e redução de custos determinada por uma redução de 5,7 pontos percentuais nas contribuições das empresas para a Segurança Social
Se António Borges conhecesse a estrutura de custos das empresas
não financeiras portuguesas saberia que uma redução de 5,75 pontos percentuais
na taxa de contribuições patronais para a Segurança Social (passar de 23,75%
para 18%) provocaria uma redução de apenas 1,1% nos custos totais das empresas
portuguesas. Mesmo entrando com efeitos indirectos, a redução situar-se, para as
empresas exportadoras, entre 1,5% e 2,4% (depende do sector), segundo cálculos
que fizemos utilizando os dados de um estudo divulgado pelo próprio governo em
2011. É evidente para todos os leitores que não seria com tal medida que se
aumentaria a competitividade das empresas portuguesas. E isto porque, por um
lado, tal redução de custos é irrisória e ridícula e, por outro lado, é
facilmente anulada com qualquer variação positiva (apreciação) da taxa de câmbio
do euro. Por ex., entre 30 de Agosto e 12 de Setembro de 2012, o euro
valorizou-se em 2,3% em relação ao dólar, o que seria mais que suficiente para
anular aquela redução de custos. A única justificação que encontramos para as
afirmações de António Borges ao chamar ignorantes os empresários que se opuseram
à baixa da TSU das empresas à custa do aumento dos descontos pagos pelos
trabalhadores, é que eles poderiam meter no bolso assim, com a ajuda do próprio
governo, 2.200 milhões € aumentando os seus lucros, e não quiseram. No entanto,
António Borges, se tivesse alguns conhecimentos consistentes de economia
portuguesa certamente saberia que mais uma redução da procura interna, quando a
maioria das empresas já não conseguem vender o pouco que produzem, teria
consequências dramáticas no tecido empresarial português, lançando muitos
milhares de empresas na falência e fazendo aumentar ainda mais o desemprego, o
que determinaria uma maior contracção do mercado interno. Mas esta "economista",
formado na escola da Goldman Sachs e do FMI, transformado por certa comunicação
social em "guru", parece não conhecer este princípio elementar da economia.
Utilizando as próprias palavras de Antonio Borges, podia-se dizer com propriedade que seria o próprio António Borges que " não passaria no 1º ano de um curso de economia da universidade". No entanto, as afirmações de António Borges têm o mérito, como consequência da sua ingenuidade, de expressar publicamente, tornando assim claros para a opinião pública, os objectivos e a credibilidade técnica deste governo e desta maioria PSD/CDS.
30/Setembro/2012
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domingo, 30 de setembro de 2012
O Terreiro do Povo exige a Greve Geral .
Video da SIC sobre a grande Manifestação dia 29 em Lisboa
Comunicado do Circulo Revolucionário distribuído no decurso da Grandiosa Manifestação
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