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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Grécia - Ovos e iogurtes contra jornalista durante transmissão de programa ao vivo, por promover as ideias nazis

No sábado, 7 de abril, um grupo de antifascistas, entraram nas instalaçõeses da televisão Epirous TV1 enquanto decorria uma entrevista ao vivo. Gritando slogans contra o fascismo, os manifestantes jogaram um monte de iogurtes e ovos contra o apresentador de um programa de propaganda a favor do Regime, por ele ter dado espaço televisivo no dia anterior a um representante do grupo neonazista-paraestal Jrisa Avgi (Amanhecer Dourado) para espalhar a "ideologia" neofascista.

O convite para uma entrevista por telefone com os neonazis aconteceu alguns dias após o ataque assassino contra estudantes realizado por cerca de 30 fascistas, entre eles vários bandidos deste agrupamento, na Cidade Universitária de Atenas. A propaganda televisiva deste canal provinciano vem se somar a uma operação de desinformação coordenada sobre esta agressão, assim como foi coordenada a agressão fascista. Ressalvemos que este grupelho fascista realizou no passado muitos ataques terroristas contra imigrantes, ativistas sociais e cidadãos.

Um dos slogans das pessoas que realizaram essa acção foi: "Policias, tv, neonazis, todos os filhos da puta trabalham juntos.

Grécia -Manifestação após o suicídio público: "O mais importante não é manter-se vivo, mas manter-se humano"

No sábado, 7 de abril, à tarde, foi realizado o funeral de Dimitris Jrístulas, que se havia suicidado três dias antes na praça principal de Atenas, Sintagma, em frente ao Parlamento, conferindo com a escolha deste lugar e uma nota deixada por ele a natureza política de sua acção. Mais de 1.000 pessoas se despediriam de Dimitris na sua última viagem. Os participantes transformaram o funeral em uma manifestação política. Entre os slogans gritados ou escritos em faixas destacamos uma frase de George Orwell: "O mais importante não é manter-se vivo, mas manter-se humano" .

Na manhã do mesmo dia houve uma manifestação por quase todo o centro de Atenas. Quando a manifestação estava a chegar à praça Syntagma, um agente da polícia à paisana, que se tinha infiltrado no acto foi descoberto pelos manifestantes, que o perseguiram e quando o alcançaram lhes deram uma violenta tareia tirando-lhe o casaco, viram então que por debaixo o traste vestia o uniforme da polícia. Os manifestantes, então, tiraram o uniforme dele e penduraram numa árvore, perto do local do suicídio público em 4 de março . Outros vestuários do militar e seus acessórios foram queimados ...



quarta-feira, 4 de abril de 2012

Grécia - Suicídio público em frente ao Parlamento

Em Portugal como na Grécia, o número de suicídios tem vindo a aumentar grandemente e a "razão" de tal ocorrência è devido à crise e à falta de prespectivas. O caso que divulgamos è um exemplo das dificuldades que se intensificam e que naturalmente justificam outro tipo de resposta, que passa inevitávelmente por um combate consciente contra o capitalismo e os seus governos reaccionários.

Um aposentado de 77 anos suicidou-se nesta manhã na praça principal de Atenas, Sintagma (Constituição), em frente ao Parlamento.

Foi um dos muitos suicídios realizados durante os últimos anos na Grécia. Talvez a palavra suicídio esteja colocada de uma forma errada errada. Na realidade trata-se de um assassinato.
As condições desumanas de insegurança, precariedade, miséria e raiva que geraram o Sistema, conduzem ao desespero e à morte.

A Grécia é um dos primeiros países na Europa em número de suicídios por habitantes, apesar de alguns anos atrás ter sido um dos países com menor número de suicídios na Europa. Segundo dados oficiais, há um aumento de 40% entre janeiro e maio deste ano em relação ao mesmo período de 2010. Os suicídios dobraram desde que começou a chamada crise, há aproximadamente
dois anos. E vão crescendo de dia para dia.

Sómente hoje,4 de abril , uma outra pessoa cometeu suicídio em Creta, enquanto outra pessoa tentou o suicídio na ilha de Quios.

O aposentado enfrentava enormes problemas econômicos que o levaram ao desespero. Às 9 horas da manhã ele deu um tiro com uma arma em si mesmo, escolhendo acabar com a sua vida num local simbólico.

No bilhete que ele deixou [primeira imagem em anexo] diz:"O governo de ocupação de Tsolákoglu¹ destruiu literalmente todos os vestígios da minha sobrevivência, que se baseava numa pensão digna, onde eu estive pagando por 35 anos (sem apoio do Estado).

E como que eu tenho uma idade que não me permite uma reação combativa(certamente sem excluir essa possibilidade; Se apenas uma pessoa pegasse uma Kalashnikov, o segundo seria eu), não consigo encontrar outra solução,salvo um fim decente, antes de começar a procurar comida no lixo para se alimentar.

Creio que os jovens sem futuro vão pegar em armas e vão enforcar aos traidores nacionais de cabeça para baixo na Praça Syntagma, como os italianos fizeram com Mussolini em 1945, na Praça Loreto, em Milão”.

Hoje, quarta-feira, 4 de abril, às 18h, irá realizar-se uma manifestação na Praça Syntagma, em Atenas.

Na segunda imagem [em anexo] mostra o cartaz-chamada para a manifestação. Coloca os dizeres: "Não foi um suicídio. Foi um assassinato. Que não nos acostumemos com a morte”. Outras manifestações terão lugar em Tessalônica e Heraklion, em Creta.
Algumas semanas atrás escrevemos que nos tiram os salários e pensões, nos estão tirando a própria vida. Não era uma metáfora. A pessoa que cometeu suicídio na praça principal de Atenas foi um dos muitos casos que justificam esta constatação. Poucos dias atrás uma pessoa idosa tirou a vida na ilha de Zante, deixando uma nota que dizia: "Não quero ser um peso para os meus filhos". Muitos suicídios não estão vindo à luz do dia. O capitalismo já nos mostrou a sua verdadeira face há muito tempo.
Eles estão matando nossos sonhos, estão saqueando nossas vidas, estão matando seres humanos, próximos de nós. Tens as mãos manchadas com sangue mas enchem os cofres fortes, os seus e os de seus patrões. Conduzem as massas à miséria, mas... nos estão "salvando". Eles disparam contra nossas vidas, mas... nos prometem um "futuro melhor". O Capital e o Estado nos levam a miséria, a indignação, a morte. Não podemos permanecer passivos,contemplando-os nos executando a sangue frio! Não podemos ficar de braços cruzados e que os vejamos nos matando, roubando-nos a vida, nos matando diariamente. Precisamos de mais exemplos marcantes para fazer o que nos incita a fazer o aposentado² que se viu forçado a cometer suicídio em frente ao Parlamento? Não só os oprimidos no território do Estado grego. Os oprimidos de toda a terra.
PS: Este não é momento adequado de dedicar tempo para criticar ou analisar as lágrimas de crocodilo derramadas pelos políticos e os meios de desinformação.
[1] Primeiro-ministro grego, nomeado pelas forças de ocupação alemãs durante a ocupação do país pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial.
[2] Claro que não estamos de acordo com os traidores nacionais. No entanto, todos entendemos a mensagem e a interpretamos de diferentes maneiras...

Mais de cinco mil manifestantes de todas as idades concentraram-se em frente ao parlamento grego, manifestando o sua revolta contra a política criminosa do governo/tróika, responsáveis por este tipo de crimes (suicídios) . A presença destes manifestantes aconteceu durante quatro horas com incidentes constantes com a polícia .

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Grécia - Polícia carrega brutalmente sobre manifestação de 19 de fevereiro

A Polícia reprimiu carregando brutalmente sobre a manifestação do dia 19 de fevereiro na Praça Syntagma de Atenas, uma semana após a maciça manifestação de 12 de fevereiro.

A poucas horas do horário previsto para a manifestação, grupos de policias da chamada tropa de choque, policias à paisana e motorizados estavam espalhados por todo o centro de Atenas, parando os transeuntes, abrindo as suas bolsas, mochilas e pertences e realizando umas 60 prisões preventivas, tentando aterrorizar aqueles que iam para o ponto de encontro da manifestação e especialmente aos que pretendiam participar dela.

A Polícia, como de costume, fechou as estações de metrô do centro da cidade, impondo uma espécie de toque de recolher. Apesar do terrorismo cerca de 6.000 manifestantes (incluindo um grupo de manifestantes motorizados) responderam ao apelo dos sindicatos de base, dos "indignados" e de várias assembleias de bairros e coletividades. Um pouco depois das 20h e ao mesmo tempo em que a manifestação estava em curso, os policias começaram a provocar os manifestantes. Um grupo reagiu, atirando pedras e outros objetos. Quando a Polícia começou a disparar gás lacrimogêneo e outros gases cancerígenos alguns manifestantes responderam com coquetéis molotov e pedras. Então começou uma perseguição implacável pela Praça Syntagma e ruas circundantes. Poucos minutos depois, a perseguição dos manifestantes chegou até um bairro que fica quase meia hora de caminhada da Praça Syntagma...

Durante os incidentes vários manifestantes foram feridos, incluindo algumas pessoas mais velhas. Houve detenções cujo número de momento é desconhecido. Para os meios de desinformação a manifestação foi como se ela não tivesse acontecido...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A cólera do povo estilhaçará a coligação governamental PASOK-ND

"Centenas de milhares de manifestantes gritaram por todo o país: "O governo com esta linha política criminosa deve ir-se já, junto com a Troika. Nenhum memorando deve ser assinado. Nenhum acordo novo. A plutocracia deve pagar".

A manifestação do PAME em Atenas foi espantosa. Houve muitas outras grandes manifestações por todo o país. Os trabalhadores trataram destemidamente o plano organizado do estado para reprimir a manifestação.

Com comício magníficos em Atenas e dúzias de cidades gregas, a classe trabalhadora e outros estratos populares e juvenis exigiram que o novo memorando não fosse aprovado no Parlamento, dando uma resposta decisiva à linha política anti-povo e à chantagem do governo. Esta foi a maior manifestação das últimas décadas, caracterizada pelo grande comício de massa do PAME e dos sindicatos com orientação de classe com exigências contra o Acordo de Empréstimo, pelo derrube da linha política anti-povo, pelo desligamento da UE com o cancelamento unilateral da dívida, com o poder do povo de modo a que a riqueza do país possa ser utilizada e proporcione prosperidade para o povo.

O orador do comício do PAME, C. Katsiotis, observou no seu discurso: "O povo não deve temê-los, nem ficar em silêncio e permitir-lhes que o esfolem vivo. Nãos tem importância se isto acontece dentro ou fora do Euro, com uma bancarrota controlada ou descontrolada. O que é de importância vital é que o povo decida que não fará mais sacrifícios para a plutocracia, para encher as arcas do tesouro dos capitalistas, enquanto ele povo e seus filhos é submerso na pobreza absoluta e na penúria".

Deve-se notar que as novas medidas eliminam três meses de salário por ano dos trabalhadores (redução de 22%) e quatro meses de salário dos trabalhadores recém contratados (32% de redução), além de outras medidas e dos impostos pesados que eliminarão ainda mais do que resta do rendimento dos trabalhadores.

Os manifestantes permaneceram durante mais de 6 horas nas ruas, organizados, formados em enormes contingentes com os braços ligados em conjunto, sem temor, apesar da orgia de repressão e da actividade dos provocadores que incendiaram edifícios no centro da cidade. Foi um plano selvagem e descarado de repressão do estado o qual utilizou os indivíduos encapuzados. O aparelho de repressão do estado atacou com toneladas de gás lacrimogéneo (é significativo que no princípio da noite o abastecimento de gás lacrimogéneo das forças de repressão estivesse esgotado) e granadas de luz com efeito atordoante (stun grenades), inteiramente não provocados, as centenas de milhares de manifestantes que inundaram ontem o centro da cidade, quando o novo memorando estava a ser discutido no Parlamento.

O plano do governo era óbvio: Que o povo não deveria chegar à Praça Syntagma; travar a manifestação. Um objectivo adicional deste plano, o qual incluía dúzias de incêndios e destruição de material no centro da capital, era no sentido de o povo trabalhador de Atenas submeter-se à novas medidas anti-povo, esconder das câmaras as dezenas de milhares de trabalhadores, os quais manifestavam-se nos contingentes do PAME, bem como dispersar a manifestação de massa, assim como transmitir os dilemas intimidatórios do "salvamento do país" ou a "destruição" e "caos" de uma possível bancarrota.

Na sua declaração o KKE condenou um "plano do estado para reprimir e intimidar o povo. No momento em que os partidos da plutocracia e da aliança predatória da UE extorquem e ameaçam o povo votando a favor de um memorando para a bancarrota do povo, vários mecanismos queimam edifícios, a fim de criar o cenário de destruição que eles estão a provocar para o povo (...) A polícia de choque e os indivíduos encapuzados operam de um modo coordenado contra as magníficas manifestações do povo a fim de dispersá-las. (...) Eles utilizam mentiras, chantagem, repressão e provocações a fim de subjugar o povo. Mas eles são indefeso se se encontram face a face com um povo que está determinado e organizado para tratar com eles, para combater e vencer a sua causa justa.

O KKE apela à classe trabalhadora, ao povo, à juventude para que mantenha num estado de prontidão e vigilância a fim de impedir qualquer tentativa de tomada de medidas autoritárias".

No interior do Parlamento, durante a discussão das medidas bárbaras do Acordo de Empréstimo, o grupo parlamentar do KKE, com a sua superioridade ideológica e política, denunciou os dilemas da chantagem utilizada pelo governo, PASOK, ND, os media referente à inevitabilidade da implementação do Acordo de Empréstimo de modo a que o povo já em bancarrota ainda a agrave mais. Através das suas intervenções os deputados comunistas, demonstrando porque nenhum deputado tem o direito de votar pelas medidas bárbaras que exterminam o rendimento popular e da classe trabalhadora, exerceu pressão e aguçou extremamente as contradições, as quais manifestaram-se nos partidos burgueses e exprimiram-se pelas suas graves perdas na votação. Foram 22 os deputados do PASOK e 21 os da ND que se opuseram à votação em favor do acordo em foram expulsos (incluindo antigos e actuais ministros). O partido nacionalista LAOS que declarou que votaria não ao acordo não participou da votação. Dois dos seus deputados votaram pelo Acordo de Empréstimo. É significativo que de um total 278 deputados 199 votassem pelo Acordo de Empréstimo e 74 votassem contra.
http://inter.kke.gr/News/news2012/2012-02-13-info
Devido à pressão exercida pelo KKE, os partidos burgueses utilizaram o anti-comunismo e a abjecção, os quais marcaram o discurso provocatório de E. Venizelos, vice-presidente do governo e quadro do PASOK, o que provocou uma forte reacção de todo o grupo parlamentar do KKE.

Os deputados do KKE levantaram-se e protestaram, responderam dinamicamente às chantagens enquanto o volume do miserável projecto de lei era simbolicamente atirado das cadeiras do Grupo Parlamentar do KKE para as cadeiras dos ministros.

A secretária-geral do CC do KKE, Aleka Papariga, assumiu a palavra e dentre outras coisas mencionou: "Vocês estão literalmente a tentar subjugar a opinião do povo que sofre, do povo pobre, por meios de intimidação ideológica sem precedentes. Desculpe-me, eu não o identifico com ele, mas Goebbels teria inveja de si. Uma grande bancarrota está a vir! A quem estão a falar? Ao povo que já está em bancarrota? Não, não estamos interessados numa Grécia que será salva e em que o povo estará em bancarrota. [...] Desde a manhã você tem estado continuamente a falar acerca de destruição, mesmo acerca de guerra civil (...) Mesmo a televisão do estado subitamente relembrou a guerra civil (...) Nós responderemos quando chegar o momento. Mas vocês são responsáveis quando colocam tais questões ao povo. Vocês têm os prazos finais da Troika e da Comissão. E eu estou a dizer que tais ultimatos não foram emitidos nem mesmo na véspera de guerras mundiais. (...) Vocês estão a provocar-nos.

Temos estado a ouvir vocês o dia todo a falar acerca de guerra, a contar-nos que não teremos pensões, que não receberemos abonos, ou não sabemos porque e para que fim estão a falar acerca de guerra civil. Agora quem desencadeou a situação? Temos os nossos limites. Somos polidos mas não estúpidos. (...) Portanto dizemos ao povo o seguinte: a bancarrota profunda virá, ou com o euro ou com o dracma, não podemos saber isto antecipadamente.

Em segundo lugar, mesmo que a Grécia aumente a sua competitividade outros países desenvolver-se-ão ainda mais. No melhor dos casos ela pode ascender 2-3 posições. Mas esta competitividade custará ainda mais ao povo trabalhador. A Grécia estará super-endividada durante 150 anos, como foi o caso com os empréstimos da "independência" (...) em qualquer caso quem está em baixo não deve ter queda. O povo não evitará a bancarrota não importa o que faça, mesmo se aceitar trabalhar de graça durante um, dois ou três anos. A nossa posição é: lutas que podem impedir o pior. Mas a fim de fazer isto o movimento popular deve ser dirigido rumo à mudança deste sistema política pelo sistema político dos trabalhadores e pelo poder do povo. Desligamento e cancelamento unilateral da dívida; não há outra solução para o povo".

O grupo parlamentar do KKE também refutou de um modo bem fundamentado as chantagens do governo:

"Hoje os deputados arcam com uma responsabilidade especial quando aprovarem uma lei que fará com que o povo trabalhador tenha de subsistir com um salário de 489 euros dado o alto custo de vida e com que os jovens tenham de viver com um salário de 440 euros enquanto ao mesmo tempo vocês concordam em que apenas uma pequena fracção dos desempregados receberão 330 euros. (...) Ninguém tem o direito de condenar o povo trabalhador a um salário de 400 euros. Estarão vocês a dizer que "nós o enterraremos vivo para o seu próprio bem?" (...) Será vossa preocupação meramente a divisa que exprimirá a pobreza do povo? O sistema esgotou seus limites históricos. Ele não pode nem mesmo proporcionar um bocado de pão a fim de subornar consciências. (...) A riqueza social hoje é incrivelmente alta e vocês pedem ao povo para viver tal como na Idade Média. Estamos a dizer a todo o povo que levante as suas cabeças, pois não têm nada a perder senão os seus grilhões".

13/Fevereiro/2012
O original encontra-se em http://inter.kke.gr/News/news2012/2012-02-13-info

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Grécia - Acerca dos recentes acontecimentos

"Os meios de comunicação internacionais têm falado sobre a noite passada na Grécia. Falam sobre fogo, de caos, de violência...

Falam sobre as 100.000 pessoas reunidas em Syntagma, mas não das 200.000 que realmente havia, nem das 300.000 que não puderam chegar à praça, porque as ruas e metrôs foram bloqueados pela polícia.

Não falam sobre como a polícia provocou o início dos distúrbios às 17 horas, atirando bombas de gás lacrimogêneo indiscriminadamente por toda a Praça Syntagma, dispersando os manifestantes por todo o centro de Atenas, para que não incomodassem em frente ao Parlamento.

A mídia tem falado em destruição indiscriminada, espalharam o rumor de que a Biblioteca Nacional de Atenas ardia em chamas. Falso.

Foram queimados bancos, cafés e lojas, franquias de indústrias multimilionárias que levaram a Grécia a esta situação; a mídia fala de jovens anti-sistema, mas não falam sobre mulheres e homens idosos com máscaras anti-gás mostrando seu apoio durante horas batendo ritmicamente nas portas dos bancos e das multinacionais com as mãos e pés, assobiando e gritando em apoio às primeiras linhas que resistiam aos ataques dos anti-distúrbios nas ruas cheias de gases lacrimogêneos e foguetes, aplaudindo ao ver as chamas no Alpha Bank e Eurobank.

Falam que a violência não resolverá a situação na Grécia, mas não falam da assembléia inter- bairros, realizada na semana passada na Universidade de Pantios; não falam que a ocupação da Universidade de Nomiki tinha como objetivo ser um lugar de intercâmbio e debate entre os diferentes movimentos gregos; não falam sobre refeitórios livres e mercados de troca que ocorrem semanalmente nos bairros.

O que a mídia não diz é que, após a última expropriação massiva em um supermercado e a distribuição de alimentos em um subúrbio obreiro de Tessalônica, as pessoas idosas diziam que não tinham chegado a tempo, que voltássemos a entrar e, ainda, se por um momento elas não entrassem, sabem onde está sua gente.

O que não dizem é que, enquanto caminhávamos por um bairro obreiro, em uma pequena manifestação longe do centro, as pessoas surgiam das sacadas erguendo o punho, e a manifestação aumentou sua afluência - as pessoas saiam de suas casas, se juntavam, as velhas apoiadas aplaudiam, os velhos... putz, os velhos cantavam hinos... e isso não dirá a mídia, mas nós já dizemos.

Aqui em Atenas eles sabem que não estão sozinhos, que toda Europa segue o mesmo caminho, o que não sabem é que estamos fazendo no resto da Europa... se estamos fazendo algo o resto da Europa."
Pequeno relato dos recentes acontecimentos na Grécia

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Vigília de apoio aos gregos hoje frente ao parlamento em Lisboa


Comunicado da Lusa 10 Fev, 2012,
Uma vigília de "apoio aos gregos" foi convocada hoje pela rede social Facebook para as 18:30 frente à Assembleia da República, em Lisboa, disse à Lusa um dos organizadores.

"A ideia partiu hoje de uma conversa entre várias pessoas. Decidimos fazer uma manifestação de apoio à greve geral na Grécia e fizemos um apelo através do Facebook ( https://www.facebook.com/events/207599632672511/ ), disse à Lusa Tiago Peixoto, 33 anos, desempregado e "totalmente independente".

"No fundo é um ato semelhante àquele que os gregos fizeram em Atenas, frente à embaixada de Portugal, no dia 24 de Novembro" de 2011, data da última greve geral portuguesa, acrescentou Tiago Peixoto que vê semelhanças entre a situação da Grécia e de Portugal.

"Há uma tentativa de separar a situação grega da situação portuguesa mas o que estamos neste momento a ver em Portugal está a ser um seguimento muito similiar da ordem dos eventos que se verificam na Grécia. Ou seja, ainda esta semana, foi divulgado que foram criados mais de cinco mil milhões de euros em dívida pública. Portanto, na minha opinião, estas medidas de austeridade estão a gerar mais dívida o que está a contribuir ainda mais para a espiral de recessão em Portugal", disse Tiago Peixoto que aponta os mais desfavorecidos como os alvos das medidas de austeridade.

"Quem está a ser mais penalizado é o trabalhador comum. Tanto cá como no Grécia", conclui um dos organizadores da vigília "Somos todos gregos" que está a ser convocada na internet.

10 e 11 de fevereiro - Greve Geral de 48 horas na Grécia

O povo insubmisso grego não desarma perante a política do grande capital europeu e manifesta-se nas ruas apesar do grande aparato policial . Os relatos seguintes são reveladores da dimensão da realidade grega .
Confrontos com a Polícia e ocupações de Ministérios e Prefeituras em toda a Grécia .

Primeiro dia da greve de 48 horas: Confrontos com a Polícia e ocupações de Ministérios e Prefeituras em toda a Grécia

Atenas: A participação na manifestação do primeiro dia da greve de 48 horas foi inferior à esperada. A manifestação de mais de 10.000 pessoas começou um pouco depois do meio-dia com conflitos na praça principal de Atenas, Sintagma, entre manifestantes de um lado e numerosos agentes das forças repressivas e policiais secretos e fascistas do outro. Um manifestante ficou gravemente ferido e 7 foram presos, apesar de que houve cerca de 15 prisões preventivas.

Nas ruas circundantes agentes da equipe motorizada da Polícia grega investiram contra manifestantes batendo em muitos deles. Os enfrentamentos nas ruas do centro duraram várias horas. Os agentes da chamada tropa de choque atacaram e bateram a sangue frio num manifestante, jogaram-no ao chão, e em seguida ficaram um bom tempo dando chutes e depois lançaram granadas de ruído enquanto ele estava caído e sangrando no chão (foto).

Pode ser que a manifestação não teve as características quantitativas esperadas, mas as características qualitativas do protesto foram muito significantes. A fúria e a insistência dos manifestantes durante os confrontos eram grandes. As pessoas não retrocediam diante das investidas da Polícia, apesar do uso excessivo de gás lacrimogêneo e produtos químicos por parte dela. Em várias ocasiões grupos de pessoas resgataram os manifestantes detidos pela Polícia ou outros prestes a ser presos, evitando a sua detenção. É interessante assinalar a surra que vários manifestantes deram em um grupo de fascistas que apareceram para acompanhar seus irmãos de farda.

No bairro de Jolargós a Assembléia Popular Aberta local passou a ocupar a Prefeitura. Às 18 horas, houve uma assembléia realizada na Prefeitura ocupada. Os membros da Assembléia Popular fizeram um chamado para ocupações nos conselhos de todos os bairros e a grande manifestação de domingo em frente ao Parlamento.

Heraclion, Creta: Enorme e combativa manifestação do primeiro dia da greve de 48 horas. Mais de 10.000 pessoas marcharam pelas ruas do centro de Heraclion. Foi uma das maiores manifestações realizadas na cidade. Houve vários ataques a bancos e pichações de slogans contra o Regime, Bancos, e em solidariedade com os grevistas da rede de supermercados Ariadna .

Chania, Creta: Muito grande para os padrões da cidade a manifestação do primeiro dia da greve de 48 horas. A manifestação de mais de 3.000 pessoas acabou na Prefeitura, onde vários dos manifestantes procederam a sua ocupação. A Ocupação está fazendo contínuas chamadas em toda a cidade, para as manifestações de amanhã e depois de amanhã. Estudantes universitários locais ocuparam a Escola Politécnica Superior, chamando as pessoas a se rebelar contra a Tirania.

Récimno, Creta: Ocupação da Prefeitura. Hoje, no primeiro dia da ocupação montaram uma festa comunitária fora da Prefeitura ).

Larissa, Tessália: Os participantes da manifestação do meio-dia ocuparam o prédio da Administração da Região de Tessália. O lema principal da Ocupação é indicativo: "Não há mais tempo. É agora ou nunca".

Corfu: Ocupação do edifício da Administração da Região das Ilhas Jónicas. Na ocupação participaram quase todos os sindicatos de base da ilha.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Grécia - Hoje em Greve Geral

Está neste momento em curso a greve geral de 24 horas, convocada pelas centrais sindicais gregas, segundo notícias das agências noticiosas há uma grande participação dos trabalhadores gregos.
As imagens refletem os confrontos entre polícia e os trabalhores que se abeiraram do parlamento grego, repudiando a política de rapina do grande capital europeu .
Cada vez è mais evidente a unidade dos povos da Europa è crucial para impor uma derrota ao grande capital .





segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Grécia-Sindicatos convocam greve geral para amanhã

Enquanto em Portugal o primeiro ministro Passos Coelho, regeita qualquer semelhança com a Grécia, garantindo a satisfação dos compromissos com o grande capital europeu, a verdade è cada vez mais evidente as semelhanças agigantam-se .

As duas grandes centrais sindicais gregas, Adedy e GSEE, apelaram hoje a uma greve geral de 24 horas a realizar amanhã contra as novas medidas de "rigor financeiro" exigidas pela União Europeia e o FMI que consistem em mais despedimentos: na função pública, estão previstos 15.000 despedimentos, mais cortes nas despesas de saúde, a anulação de direitos laborais e o corte nos salários de 20 para 30 % .

De acordo com o presidente da GSEE, Iannis Panagopoulos, as novas medidas "são a `crónica de uma morte anunciada. "É uma chantagem por parte da 'troika'. Aconteça o que acontecer, os gregos estão condenados a viver na pobreza. Isso nenhum país pode aguentar. Já basta!", reclamou o líder sindical em comunicado.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Grécia: Não há «salvação nacional» enquanto não derrubarmos a troika e o seu regime

Comunicado da Organização Comunista Grega KOE

Cada um de nós e todos juntos – sair à rua!
Estamos a meio de uma tempestade de rápidos desenvolvimentos políticos. O factor popular é o catalisador. Foi o povo grego que isolou, deslegitimou e marginalizou o governo de Papandreou. O povo pronunciou um estrondoso NÃO ao estado de emergência da troika FMI-UE-BCE e aos acordos com os salteadores internacionais. As manifestações sem precedentes que tiveram lugar durante a última greve geral política de 48 horas e o acontecimento histórico da transformação do Dia Nacional em dia do «NÃO à nova ocupação» não foram as últimas gotas, mas as ondas mais recentes que aceleraram a raiva popular.

Face ao impasse da sua política, o «primeiro ministro» Papandreou tentou uma chantagem generalizada com a sua decisão de fazer um referendo sobre o último acordo nojento de subordinação imposto pela Cimeira da UE de 26 de Outubro. Ele não tinha nenhuma certeza de que o seu referendo se iria realizar – apesar disso, pensou que, através dele, pudesse fazer chantagem: a) às instituições políticas sistémicas para lhes extorquir o seu consenso; b) a certos factores externos com base no apoio de outros; c) ao povo grego. A possibilidade realista de um retumbante NÃO à subordinação e à nova ocupação, caso o referendo se concretizasse (dado que o povo grego tem demonstrado a sua disposição de derrubar o governo e a troika, de todas as formas possíveis) alarmou os quartéis-generais europeus e locais.

O que ontem ocorreu na Cimeira do G20 em Cannes foi uma nova página negra na história da subordinação da classe dominante grega, digna das mais negras tradições da venda dos interesses do nosso povo e do nosso país, desde a fundação do estado grego. O que ontem aconteceu provavelmente apenas pode ser comparado à era da guerra civil sob controle norte-americano e à situação após a guerra civil [de 1946-49]. Merkel e Sakorzy anunciaram ao vivo qual o tipo de referendo que é permitido ao povo grego e qual o que não o é – ameaçando com a fome, como verdadeiros salteadores, as massas gregas caso desafiem as decisões deles. O «primeiro ministro» Papandreou, o mais patético figurante que alguma vez esteve presente em Cannes, ficou à espera num canto até Merkel-Sarkozy anunciarem a sua decisão, e depois apenas apareceu para ratificar as ordens dos extorsionários europeus.


A chantagem de Merkel-Sarkozy traduz-se assim: «Nós é que decidimos o vosso destino. Vocês calam-se e obedecem. Vocês estão sujeitos ao estado de emergência, e o vosso povo não tem direito a exprimir a sua opinião – o vosso povo está em liberdade condicional e sob tutela estrangeira. Vocês vão formar um «governo de unidade nacional» que nos vai servir, caso contrário nós vamos pôr-vos fora da zona euro, assim que acabarmos de vos espremer completamente. E não é preciso dizer que, em todo o caso, vão continuar a pagar.« Face a esta extorsão, o que é que responderam o sistema político da subordinação, os seus partidos políticos e os seus principais meios de comunicação? A resposta deles foi: «Vamos apoiar o regime da troika através de um ‘governo de salvação nacional’.» Não esperamos outra coisa de um sistema que não consegue sobreviver sem o domínio dos extorsionários e dos usurários. Não esperamos nada de diferente de um sistema que amarrou o seu destino ao serviço dos seus amos estrangeiros.

No entanto, o nosso povo consegue fazer uma coisa diferente! Derrubar este regime miserável. Isto é, derrubar a troika e os acordos com os salteadores internacionais e pôr fim ao sistema político corrupto. Unindo as suas imensas forças para fornecer um caminho político, económico e social diferente ao país. Esse caminho exige o fim imediato e total dos pagamentos aos «credores» e o inicio de uma grande campanha pela restruturação da produção, de forma a que o povo grego consiga estar sobre os seus próprios pés e deixe de viver sob tutela e chantagem estrangeiras. Assim, o nosso povo conseguirá seguir na via da Democracia autêntica, da Independência e da Emancipação. Esta é a via da verdadeira salvação, da sobrevivência e da liberdade para o povo e para o país.

Quando o nosso povo seguir por este caminho, não terá medo de romper com todos os factores e mecanismos que mantêm a Grécia com o estatuto de país cativo e humilhado, que transformam a Grécia num protectorado europeu pós-moderno, submerso na miséria e na escravidão. Desta forma, será enviada uma mensagem de Dignidade e Resistência da Grécia para os povos de todo o mundo. A zona euro, imersa numa longa trajectória de rivalidades e liquidação, não conseguirá sobreviver através da transformação em ruínas de todas as conquistas populares e democráticas. O euro, depois de ter sido o veículo em dinheiro vivo da transferência de riqueza para os poucos poderosos, o veículo das opções mais obscuras e antipopulares, é agora usado como um dogma religioso inegociável, à custa da sociedade. No entanto, não há outra doutrina a não ser a sobrevivência e a dignidade do povo!

O consenso de todo o mundo burguês, baseado na aceitação do acordo de tipo colonial, tal como foi ontem imposto em Cannes por Merkel e Sarkozy, é uma provocação contra o povo grego e a sua vontade expressa. Caíram as máscaras: o Sr. Samaras, líder da «oposição» de direita e até ontem «opositor do acordo», declarou hoje que está presente e pronto para um governo ao serviço de todos os acordos, da troika e do último acordo de tipo colonial. Isto não é uma «salvação nacional», mas sim um caminho coordenado para a liquidação do país e de toda a sociedade.

Nenhum governo de «unidade nacional», de «salvação», «consenso» ou o que lhe quiserem chamar, será aceite pelo povo enquanto aqueles que prepararam esta «solução» quiserem manter a perpetuação do estado de emergência e o domínio da troika. Não haverá nenhuma unidade se eles quiserem o nosso povo de joelhos e o nosso país subordinado a amos estrangeiros! Não haverá nenhum consenso enquanto os acordos predatórios se mantiverem em vigor e a troika se mantiver na Grécia. O nosso povo «votará» novamente nas ruas e vai enviar de novo uma mensagem clara: NÃO à nova ocupação!

O povo grego nunca pediu uma «solução» através de eleições, nem através de um referendo nas condições ditadas por Papandreou ou pela UE (embora o povo grego também pudesse encontrar uma forma de exprimir a sua raiva e o seu NÃO em qualquer um desses processos – eleições ou referendo), nem um «governo de salvação nacional» ao serviço da troika. Por esta razão, a criação de um novo «governo de unidade nacional» pro-troika é um flagrante desvio e um golpe antidemocrático. O nosso povo pronunciou-se claramente: lutou nas ruas pela queda deste governo que hoje se está a despedaçar. Lutou pelo derrube de todo o sistema político corrupto e para pôr fim à junta dos acordos e da troika. Exigiu uma verdadeira Democracia e Independência.

Ninguém pode subestimar este claro mandato popular! É com estas reivindicações que o nosso povo vai continuar a luta até ao derrube de qualquer governo que esteja ao serviço da troika. O papel da Esquerda não é pedir eleições em geral, mas sim contribuir para a construção de uma ampla frente popular pela salvação do país.

Não há «salvação nacional» enquanto não derrubarmos a troika e o seu regime

Fim aos pagamentos, Restruturação produtiva, Democracia – JÁ!

Uma Frente Política e Social por uma saída político-económico-social!

NÃO à nova ocupação – Por uma mudança popular radical!
3 de Novembro de 2011
Organização Comunista da Grécia – KOE

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Grécia- O referendo e a intensificação das manifestações anti-regime

Nestes últimos dias os desfiles escolares em toda Grécia convertem-se em manifestações contra o regime .

O feriado “nacional”e o desfile de caráter e inspiração fascista é obrigatório para todos os alunos dos seis cursos das escolas secundárias do país, assim como para seus professores. Apesar disso, em 28 de outubro, em muitas cidades de toda Grécia, os desfiles foram cancelados e converteram-se em manifestações, com muitos dos manifestantes a vaiarem e a insultarem a representanção do estado parasitário responsável pelo enfeudamento da Grécia ao grande capital europeu.

Em Atenas, o desfile escolar teve lugar na Avenida Amalia, em frente ao parlamento, na presença da ministra da educação, Diamantopulu. Durante o desfile muitos manifestantes fizeram ecoar palavras de ordem contra o governo e as medidas de austeridade; os alunos de várias escolas negaram-se a saudar a Ministra e restante comitiva a cumprir o ritual fascista. Outros manifestantes ao passarem junto à tribuna , viraram a cabeça para o outro lado da avenida, enquanto alguns optaram por agitar lenços negros. Os músicos da Banda Filarmônica de Atenas colocaram fitas de cor preta em seus instrumentos musicais. Assim, de maneira coletiva, responderam às ameaças da Câmara de Atenas, que havia ameaçado os músicos da banda municipal que demitiria qualquer um que aderisse ao ato de protesto.

Em Kalicea, bairro de Atenas, populares expulsaram os políticos da tribuna das comemorações e ocuparam os seus assentos.Exemplo seguido por outros bairros de Atenas e de outras cidades gregas .

Os protestos neste feriado nacional não tem precedentes na história moderna da Grécia.

Em Tessalônica, a repressão abateu-se sobre os cerca de 500 manifestantes que estavam alinhados frente à tribuna das comemorações. A polícia não deixou os manifestantes avançar para as grades da tribuna para derrubá-las. A avenida onde ia ser realizado o desfile foi evacuada pela polícia e furgões policiais se colocaram ao longo dela, fechando o acesso das pessoas à rua vazia, tal como nos dias da ditadura dos coronéis, de 1967 a 1974.
Os manifestantes acabaram por conseguir ocupar a tribuna de e sendo o Presidente da República forçado a abandonar o local, sendo insultado por por populares em grande revolta. Também houve conflitos entre os cidadãos e militares.

Em Patras, terceira cidade mais populosa da Grécia, o povo vaiou o vice-ministro da Defesa, Spiliopulos, enquanto ele este se dirigia para a catedral da cidade . Um pouco mais tarde, ao render homenagem ao chamado Monumento aos Caídos, O ministro recebeu uma chuva de ovos e outros objetos. Além disso, os manifestantes perseguiram e expulsaram jornalistas ao serviço do sistema. Manifestantes ocuparam a avenida principal da cidade, onde seria realizado o desfile escolar:

Na ilha de Rhodes, o desfile realizado na capital foi interrompido quando muitas pessoas romperam o cordão policial que protegia os dirigentes locais. A revolta dos populares ao dirigirem-se à tribuna das comemorações com intenções muito agressivas. Alguns deputados e o ministro do Desenvolvimento refugiaram-se num edifício do governo.

Na capital da ilha de Creta, Heraklion, os populares vaiaram os políticos do regime jogando sobre eles vários objetos , exigindo a sua saída. No final, retiraram-se todos.

Na cidade de São Nicolau, na mesma ilha, o representante do governo foram forçados a fugir diante as vaias fortíssimas dos cidadãos da capital da província. Creta era considerada um dos redutos do partido no poder.

Na cidade de Volos, cerca de 1.000 adeptos da equipa de futebol local invadiram a área das celebrações e enfrentaram as forças antidistúrbios. A polícia usou granada a violência. Outros grupos de cidadãos destruíram a tribuna de autoridades e os jogaram ao mar suas partes quebradas, assim como muitas cadeiras. Em seguida, membros do movimento “Não pago” e outros manifestantes fizeram o seu próprio desfile - marcharam pelas ruas do centro da cidade. As vaias haviam começado horas antes, após uma cerimônia religiosa em uma igreja da cidade.

Na capital da ilha de Corfú, muitas pessoas foram para a tribuna para vaiar as autoridades locais e, acima de tudo, o secretário-geral do Ministério do Comércio. O governador local das ilhas jônicas ordenou o cancelamento do desfile escolar, frente à ameaça de ser ultrajado, tanto ele como todos os demais representantes das autoridades. Os populares em revolta da ilha não se limitaram a gritar contra o governo-gestor da política imposta pelo F.M.I., o Banco Central Europeu e a União Européia. Ocuparam a tribuna , desfraldaram bandeiras e expulsaram os dirigentes locais, que se viram evacuados pela polícia.

Em Kalammata, cidade do sul da Grécia, os alunos usaram durante o desfile braçadeiras de luto, e, ao passarem pela tribuna das autoridades, viraram a cabeça para o lado oposto. Um pouco antes do final do desfile, foram atirados tomates, ovos e vários outros objetos contra os ministros presentes e demais parasitas. O desfile foi interrompido por 15 minutos. A tensão continuou no final do desfile, quando o povo exigiu que saíssem todos. Muitos manifestantes conseguiram alcançar e insultar o deputado local Vuduris, apesar de estar escoltado por mais de 30 policias.

Na cidade de Trípoli, no Peloponeso, muitos habitantes gritaram frases contra os deputados locais, o governo e todas as autoridades durante todo o desfile, cobrindo com suas vozes as marchas que soavam pelos alto-falantes. A presença dos manifestantes foi massiva e muito combativa, com gritos, lemas e bandeiras durante todo o desfile. Os alunos, que foram forçados a desfilar ao passar pela tribuna, como em toda a Grécia, viraram a cabeça para o lado oposto a ela. Ao final deste show chamado desfile escolar, o ministro da Justiça, Papaioanou, teve de ser retirado por seguranças e policias, entre gritos e vaias.

Na cidade vizinha de Pyrgos, as pessoas vaiaram todos os representantes do poder, especialmente o governador da região a que pertence à cidade. O povo exigiu que saíssem todos esses parasitas. O desfile começou quando se viram forçados a deixar o local, sem assistir ao evento que melhor reflete sua ideologia. No final do desfile escolar os populares ocuparam a avenida principal da cidade, não permitindo a continuação do desfile por outras associações da cidade.

Na cidade de Náuplia, também no Peloponeso, o ministro do Meio Ambiente foi forçado a retirar-se e fugir para um endereço desconhecido, sendo fortemente vaiado por muitos manifestantes. Da tarefa de sua fuga se encarregaram as forças policiais locais - ou seja, os de costume - cães leais aos seus donos.

Na cidade e Trikala, Tessália, centro da Grécia, a polícia tentou impedir as pessoas que se manifestavam, quando muitos dos reunidos romperam o cordão policial e atingiram deputado do partido do governo Pasok , Magufis. Um dos manifestantes foi detido, fato que causou algumas reações ainda mais combativas dos manifestantes, que barraram o carro da polícia no qual estava o detido. O detido foi liberado poucos minutos depois, sendo aplaudido pelo povo. Os representantes das autoridades locais, humilhados, se viram -se obrigados a evacuar a área do desfile. O desfile tornou-se numa massiva manifestação.

Estas acções de revolta do povo grego, estenderam-se a muitas outras cidades e localidades gregas, demonstrando que o povo grego está farto da política do presente governo ao serviço do grande capital europeu. A revolta está latente e por mais manobras de diversão, caso da proposta de referendo do primeiro ministro grego não pode escamotear que os seus dias no governo tendem a acabar muito em breve.

A revolta dos gregos está aí e vai intensificar-se .

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Depois da Grécia, Portugal è a cobaia seguinte

Londres, 01-10-2011
Discurso de Sonia Mitralia na Conferência de Londres contra a Austeridade organizada pela Coalition of Resistence em 01-10-2011.

Venho da Grécia – um país que está a ser sangrado e destruído por aqueles que pretensamente querem salvá-lo: o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia. Após a adopção, a aplicação e sobretudo... o falhanço dos quatro tratamentos de choque denominados Memoranda, e a aplicação actualmente do quinto, que é o mais duro e desumano, a Grécia já não é o país que conhecíamos. Agora as ruas ficam vazias depois do pôr-do-sol; os restaurantes esperam desesperadamente por clientes; e as lojas das ruas de comércio, desertas, caem na ruína. O porquê desta metamorfose é-nos revelado pelos números: os assalariados e os reformados já perderam 30-50%, ou mesmo mais, do seu poder de compra. Em consequência, cerca de 30% das lojas ou 35% das bombas de gasolina encerraram definitivamente. O desemprego atingirá provavelmente 30% no próximo ano. Teremos menos 40% de hospitais e de camas de hospital; o Estado grego encontra-se, desde há dias, incapacitado de fornecer os livros escolares aos alunos e por isso convida-os a fazerem fotocópias (!); etc. Em suma, já se vê a fome, sim, a fome, a entrar pelas grandes cidades, enquanto os suicídios se multiplicam, num país mergulhado no stress e no desespero...

No entanto, os Gregos não se limitam a desesperar. São também combativos, resistem, lutam – sobretudo após o aparecimento, em fins de Maio de 2011, do movimento dos Aganaktismeni, os Indignados gregos, que encheu as praças de centenas de cidades gregas com enormes multidões radicalizadas, tendo por palavras de ordem principais: «Não devemos nada, não vendemos nada, não pagamos nada». E «vão-se todos embora daqui»...

Mas atenção: resistir na Grécia na época da austeridade bárbara dos Memoranda não é coisa fácil. Primeiro, por causa da repressão, que é terrível, metódica, desumana. Depois, por causa do que está em jogo: a Grécia constitui actualmente um caso de teste mundial, um verdadeiro laboratório planetário no qual são testadas as capacidades de resistência dos povos contra os planos de ajustamento estrutural, nestes tempos de grande crise das dívidas públicas. Em suma, todos os olhares, tantos dos que espreitam do alto como dos que estão em baixo, se dirigem todos os dias para este pequeno país europeu que teve a triste sorte de se tornar a cobaia mundial do neoliberalismo mais cínico. Resulta daqui que, para conseguir levantar a mais pequena reivindicação, praticamente é necessário derrubar o poder e fazer, nada mais nada menos, a revolução!

A lição que tiramos desta situação totalmente inédita é que, hoje mais ainda que ontem, ninguém se pode considerar a salvo dentro das suas fronteiras nacionais. Face à Aliança Sagrada dos governos e dos poderosos, a coordenação e a organização de todas as redes de resistência dos oprimidos constitui uma condição sine qua non de toda a esperança de sucesso! Em palavras mais simples: para que o teste grego não se transforme numa bem sucedida prova dos nove a favor da Troïka, ou seja do FMI, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia, é urgente que se unam esforços, que se faça uma Aliança Sagrada dos desvalidos!

Não é certamente por acaso que a primeira conferência internacional contra a dívida e as medidas de austeridade foi organizada em Atenas no início de Maio de 2011, pela Iniciativa Grega para uma Comissão de Auditoria da Dívida Pública, movimento do qual sou uma das fundadoras. O grande sucesso dessa primeira conferência internacional já nos tinha surpreendido agradavelmente mas, na realidade, ele era duplamente premonitório: primeiro, porque duas semanas mais tarde irromperia na cena social e política do país, ao ocupar a Praça Syntagma de Atenas, o movimento dos Indignados gregos; depois, porque se foi tornando cada vez mais claro não só que a questão da dívida pública está na raiz de todos os grandes problemas do nosso tempo, mas também que a mobilização independente em torno da exigência duma auditoria à dívida pública era mais que possível, pois correspondia a uma verdadeira vontade popular!

Creio que a lição que podemos tirar da experiência da Iniciativa Grega para uma Comissão de Auditoria da dívida pública, é que, neste momento, ela não só é válida para a Grécia, mas também para todos os outros países atacados pelos mercados financeiros, pela Troïka e pelo capital: a auditoria às dívidas públicas pode, à primeira vista, parecer uma actividade ingrata, pouco apetecível e reservada aos especialistas, mas na realidade ela é capaz de inspirar e até de mobilizar enormes massas, com duas condições: primeiro, deve ser totalmente independente das instituições e apoiada pelos cidadãos mobilizados nos seus bairros, nos seus locais de trabalho e de estudo; segundo, deve apontar claramente para a identificação da parte ilegítima da dívida, a fim de a anular, e não de a pagar!

Cinco meses depois da primeira conferência internacional de Atenas contra a dívida e as medidas de austeridade, podemos avaliar o caminho percorrido: a Iniciativa Grega está a gerar outras semelhantes por toda a Europa, a sul e a norte, a oeste e a leste. A tarefa que a todos nós impõe uma tal situação é manifesta: estes movimentos e estas campanhas em torno da auditoria à dívida pública devem rapidamente encontrar-se e constituir uma rede. Assim poderá tornar mais eficaz a sua acção e responder às expectativas das populações, antes que seja demasiado tarde para toda a gente...

É exactamente nesta tarefa que está empenhado o CADTM, o Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, do qual também sou membro, e que combina a experiência adquirida – fruto de 20 anos de lutas solidárias com os povos do Sul do Planeta – com a presença no terreno de luta em diversos países europeus. O contributo teórico e prático do CADTM no desenvolvimento do movimento contra a dívida e a austeridade na Grécia, e também noutros países, foi e continua a ser muito importante. Mas receio que para podermos responder aos novos desafios que nos foram lançados por uma situação de verdadeira guerra de morte entre ricos e pobres, seja preciso muito mais que o CADTM, que todas as redes internacionais que se batem com coragem contra a dívida e a austeridade. Serão precisas muito mais forças militantes, muito mais elaboração programática e sobretudo muito mais coordenação além-fronteiras nacionais.

Gostaria de terminar com uma questão que me é muito cara: a organização autónoma, ou melhor a auto-organização e a luta das mulheres contra a dívida e a austeridade. Se as mulheres são as primeiras vítimas da agressão neoliberal contra os salários e toda a sociedade, não é apenas por serem as primeiras a sofrerem os despedimentos em massa. É sobretudo porque o que constitui um pilar dessa agressão – a saber: a destruição e privatização dos serviços públicos – tem como consequência directa que as mulheres são obrigadas a assumir dentro da família as tarefas de utilidade pública que ainda ontem eram fornecidas pelo Estado. Em resumo, as mulheres são chamadas a garantir em casa, em privado, os serviços anteriormente garantidos pelos jardins públicos, os hospitais, os lares de terceira idade, os apoios aos desempregados, os asilos psiquiátricos, e até a segurança social. E tudo isto absolutamente grátis! Ainda por cima, tudo isto vem embrulhado na embalagem ideológica do regresso ao lar e à família, imposto por uma pretensa «natureza» da mulher aceite simplesmente como... o escravo obediente aos outros! Em suma, é o regresso ao patriarcado mais abjecto, ainda por cima combinado com um ataque frontal contra os escassos direitos que nos restam a nós, mulheres…

A minha conclusão é categórica: Aí está porque devem as mulheres organizar-se de forma autónoma para lutar contra a dívida e a austeridade. Se elas não o fizerem, ninguém poderá fazê-lo por elas...

(tradução: RuiVianaPereira)
site da conferência: http://www.europeagainstausterity.org/
vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=Cdj49g8wZZg

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Grécia-estudantes gregos contra a política do Governo



Dia 3 de outubro, estudantes de várias escolas de Atenas realizaram uma manifestação contra a poli­tica educacional neoliberal do governo. No iní­cio da tarde, centenas de estudantes começaram uma manifestação de protesto em frente ao Parlamento, ocupando o seu pátio e a Avenida Amalia, que passa pela frente. A polí­cia denominada "antidistúrbios" entrou no pátio do Parlamento e começou a provocar e repelir os jovens.

A policia tinha recebido a ordem de evacuar a praça e recuperar o tráfego de veículos na avenida, ou seja, restaurar a normalidade do terror que  se está a viver na Grécia por um longo tempo. Os alunos responderam, mas não conseguiram resistir. Primeiramente recuaram e deixaram o local do protesto, mas logo retornaram. A segunda manifestação não durou muito tempo. Um pouco mais tarde eles foram embora.

É evidente que o Regime não vai permitir a realização de qualquer protesto de massa no centro de Atenas, especialmente na Praça do Parlamento (Syntagma), sem responder com a repressão violenta. As lembranças dos protestos dos indignados durante várias semanas neste lugar são claras e o regime quer evitar a sua propagação a qualquer preço. A manifestação do dia 3 de outubro tinha sido chamada por alguns alunos e escolas ocupadas mas não tinha sido articulada pela coordenadora de todas as escolas de Atenas. Dia 5 de outubro, data da greve geral, todas as universidades ocupadas e muitas escolas vão participar na grande manifestação no centro de Atenas.

segunda-feira, 11 de julho de 2011